



















09/10/2009 - Russos Disputam Espaço em Vida e Morte
O avô de Aleksei Orlov foi enterrado no Cemitério Danilovskoe de Moscou em 1946. Sua avó foi colocada no mesmo local quatro décadas depois. E, aproximadamente 11 anos atrás, Orlov enterrou seu pai ali.

Mas quando sua mãe morreu inesperadamente em agosto, ele descobriu que não havia espaço para ela no jazigo da família. Ou em qualquer outro lugar.
Moscou, aparentemente, está fechada para os mortos. Dos 71 cemitérios da capital russa, apenas um aceita novos enterros.
A escassez de espaço deixa duas opções aos parentes dos mortos: enterrar seus entes queridos longe da cidade ou a cremação, prática desaprovada pela Igreja Ortodoxa russa.
"Mamãe era cristã e queria ser enterrada de acordo com a tradição cristã", disse Orlov, analista de negócios de Moscou. "Por outro lado, era impossível enterrá-la. Novos jazigos ficam longe, são caros ou ambos".
Grande parte da vida de um moscovita é gasta na disputa por espaço. Oficialmente, cerca de 10,5 milhões de pessoas vivem na capital, entretanto estimativas não oficiais que incluem imigrantes ilegais da cidade aumentam este número em milhões.
Nas ruas, os motoristas ficam presos em engarrafamentos enormes, enquanto multidões de pessoas se esbarram pelo metrô na hora do rush. A moradia é tão escassa que disputas por propriedade são comuns - e às vezes terminam em morte.
Mas, para as famílias das 120 mil pessoas que morrem anualmente em Moscou, a procura por uma moradia após a morte é um desafio singular.
O Cemitério Danilovskoe, do século 18, onde fica o jazigo da família de Orlov, é uma confusa selva de lápides e monumentos.
Pequenos túmulos podem conter inúmeros parentes - mães, pais, filhos, seus cônjuges. Em um deles, há sete membros de uma única família.
Até mesmo no prestigioso Cemitério de Novodevichy, Khrushchev, Chekhov e Shostakovich parecem disputar com generais, atores e os parentes de czares por um pedaço de terra para descansar em paz.
As autoridades da cidade dizem que não há mais espaço para cemitérios em Moscou. No entanto, muitos cidadãos acreditam que o governo não quer abrir mão de terrenos valiosos que poderiam ser usados para outros fins.
A postura russa em relação ao enterro também complica a procura por espaço nos cemitérios.
Ao contrário dos americanos que tendem a lidar com o terreno como com qualquer novo imóvel, muitos russos ainda acreditam que arranjos funerário são de responsabilidade do governo, como acontecia na era soviética, e frequentemente não planejam adiante, disse Anton Avdeyev, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Funerários.
"Nosso povo ainda não está pronto para uma indústria funerária baseada no mercado", ele disse.
